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Golpe no WhatsApp, SMS e e-mail: como reconhecer e o que fazer

Falso parente com número novo, clonagem pelo código de seis dígitos, falsa entrega e falso banco. Os sinais que entregam o golpe, como se proteger e o passo a passo se você já caiu, com o MED do Pix e onde denunciar.

Por Redação MATHEUZERAPublicado em 8 min de leitura

Arte abstrata com balões de conversa geométricos sobrepostos e um ponto de alerta em destaque

Golpe por mensagem quase sempre junta três coisas: pressa, um pedido de dinheiro ou de código e um contato que você não consegue confirmar. Se a mensagem diz que é urgente, vem de um número novo de alguém conhecido, pede um Pix, um código de seis dígitos ou um clique num link, pare e confirme por outro caminho, ligando para o número que você já tem salvo. Se já pagou ou passou o código, avise o banco imediatamente, recupere a conta do WhatsApp com o seu número, alerte os contatos e registre a ocorrência.

Como reconhecer um golpe por mensagem

A Febraban, que reúne os bancos brasileiros, e o INCIBE, o instituto de cibersegurança da Espanha, descrevem os mesmos sinais de alerta:

  • Urgência ou ameaça: a conta vai ser bloqueada, a entrega vai voltar, o parente precisa pagar uma conta agora. A pressa existe para você não pensar.
  • Pedido de dinheiro inesperado, de preferência por um meio instantâneo, como Pix no Brasil ou Bizum na Espanha, que é difícil de desfazer.
  • Pedido de código: o código de verificação do WhatsApp, um código enviado por SMS ou uma senha. Banco sério não pede senha por telefone, SMS, WhatsApp ou redes sociais, segundo a Febraban.
  • Número desconhecido que diz ser de alguém próximo, com a história de que o celular quebrou, foi roubado ou trocou de linha.
  • Link para atualizar cadastro, pagar taxa ou desbloquear algo, às vezes com erros de ortografia ou um endereço parecido com o verdadeiro.
  • Pedido de segredo: não conta para ninguém, resolve só comigo.

Os golpes mais comuns no WhatsApp

Falso parente (o famoso oi, mãe, troquei de número): alguém escreve de um número desconhecido, às vezes com a sua foto ou a de um familiar copiada das redes sociais, dizendo que trocou de celular depois de um assalto ou de uma perda. Logo vem o pedido de uma transferência urgente. O INCIBE registra a mesma tática na Espanha, com SMS do tipo hola mamá que levam a conversa para o WhatsApp e terminam num pedido de Bizum ou transferência.

Clonagem pelo código de seis dígitos: o golpista se passa por atendente de uma loja, de um banco ou de um site onde você tem cadastro e diz que vai mandar um código de confirmação ou promocional. Esse código é o que o WhatsApp envia por SMS quando alguém tenta registrar o seu número em outro aparelho: quem o repassa entrega a conta. A partir daí, o criminoso escreve para os seus contatos fingindo ser você e pede dinheiro. Segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, ele não consegue ler as suas conversas antigas, que ficam guardadas no seu aparelho, mas pode conversar em seu nome.

SMS falso (smishing): falsa entrega e falso banco

Segundo o INCIBE, o SMS costuma parecer mais confiável que o e-mail. Os modelos mais vistos são a encomenda retida por falta do número da casa ou por uma taxa pendente, o aviso de acesso à conta por um novo dispositivo, o cartão bloqueado e a compra suspeita que você precisa confirmar. Todos trazem um link para uma página falsa que imita a da empresa, ou para baixar um aplicativo malicioso. E o remetente pode ser falsificado para parecer o do banco verdadeiro.

E-mail falso (phishing): cobrança e conta bloqueada

No e-mail, as iscas são cobranças que você não reconhece, avisos de conta bloqueada, prêmios e restituições. Antes de clicar, confira alguns pontos que a Febraban lista no seu checklist contra phishing:

  • O endereço de quem enviou é mesmo o da empresa, ou só o nome exibido é?
  • Há erros de português, logotipo malfeito ou formatação estranha?
  • A mensagem pede dados pessoais, senha ou número de cartão?
  • O link aponta para um endereço diferente do site oficial, ou o anexo tem um tipo de arquivo incomum?

Na dúvida, abra o aplicativo oficial ou digite o endereço do site você mesmo e veja se a cobrança existe de verdade.

Como evitar golpe no WhatsApp e nas outras mensagens

  1. Ative a verificação em duas etapas

    No WhatsApp, vá em Configurações, Conta e Verificação em duas etapas. Com ela ligada, quem tiver o código de seis dígitos ainda precisa de uma segunda prova. A Central de Ajuda informa que o antigo PIN de seis dígitos passa a ser uma senha, com no mínimo 8 caracteres, pelo menos uma letra e um número. Cadastre também um e-mail para recuperar a conta.

  2. Nunca repasse o código

    O código de verificação do WhatsApp não deve ser passado a ninguém, nem a amigos ou familiares, segundo o próprio WhatsApp. Se chegar um código que você não pediu, alguém está tentando registrar o seu número: ignore.

  3. Confirme por outro canal

    Pedido de dinheiro só vale depois de ligar para o número que já está na sua agenda, nunca para o que mandou a mensagem. O INCIBE sugere combinar uma palavra-chave em família para esses casos.

  4. Não clique, vá direto à fonte

    Entrega, banco ou loja: abra o aplicativo ou digite o endereço do site oficial. Aplicativo, só das lojas oficiais do celular.

  5. Esconda o que o golpista usa

    Deixe a foto do perfil visível só para os seus contatos e ative a opção Silenciar números desconhecidos, que barra ligações de quem não está na sua agenda.

Caí no golpe: o que fazer, passo a passo

  1. Avise o banco na hora

    Se mandou dinheiro, acione o banco pelo aplicativo ou pelo telefone e peça o bloqueio e a devolução. Quanto mais cedo, maior a chance de o dinheiro ainda estar na conta de quem recebeu.

  2. Recupere a conta do WhatsApp

    No celular com o seu chip, abra o WhatsApp e registre o seu número de novo com o código de seis dígitos recebido por SMS ou ligação. Isso desconecta o golpista e todos os aparelhos ligados à conta. Se ele tiver ativado a verificação em duas etapas, o WhatsApp manda esperar sete dias e tentar de novo.

  3. Avise contatos e grupos

    Avise por outro canal que alguém está usando o seu nome. O WhatsApp recomenda tentar recuperar a conta antes de denunciá-la, porque a denúncia pode levar ao banimento da própria conta.

  4. Guarde as provas

    Faça capturas de tela, anote o número usado e a chave Pix ou conta que recebeu o dinheiro e guarde o comprovante.

  5. Registre o boletim de ocorrência

    Vá a uma delegacia ou use a delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado. Em São Paulo, por exemplo, o registro on-line fica na opção Outros crimes.

  6. Troque senhas e ative proteções

    Se digitou senha num site falso, troque-a e ative a verificação em duas etapas.

Pix: como pedir a devolução pelo MED

No Brasil, o Pix tem o MED, Mecanismo Especial de Devolução, do Banco Central, para casos de golpe, fraude e crime. Ele vale inclusive quando você mesmo autorizou a transferência, enganado pelo golpista, e o pedido pode ser feito em até 80 dias depois do Pix, pelo canal de atendimento do banco ou pela opção de contestação dentro da área Pix do aplicativo. O banco deve abrir o pedido logo após o seu relato, sem exigir boletim de ocorrência nesse momento, embora possa pedir documentos depois. A devolução depende de haver saldo na conta que recebeu, por isso velocidade conta. O MED não serve para Pix enviado por engano nem para briga comercial, como atraso na entrega. Se o banco não resolver, dá para registrar reclamação no site do Banco Central.

Como denunciar golpe no WhatsApp

Na conversa com o golpista, abra o menu de opções e use Bloquear e Denunciar. A pessoa denunciada não é avisada, e o WhatsApp recebe até cinco das últimas mensagens daquela conversa para analisar. Se o golpista usar outros números, cada um precisa ser bloqueado e denunciado. A denúncia no app não substitui o boletim de ocorrência.

Onde denunciar no Brasil e na Espanha

  • Brasil: boletim de ocorrência numa delegacia ou na delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado; o seu banco, para o MED do Pix; e reclamação no Banco Central se o banco não resolver.
  • Espanha: a Linha de Ajuda em Cibersegurança do INCIBE atende de graça pelo telefone 017, todos os dias das 8h às 23h, e também por WhatsApp (900 116 117) e Telegram (@INCIBE017). A denúncia vai para a polícia; na Guardia Civil, golpes feitos por meios eletrônicos podem ser denunciados pela internet, com assinatura eletrônica.
  • Em qualquer país: se houve crime ou se você não se sente seguro, o WhatsApp orienta procurar a polícia ou as autoridades locais.

Fontes e referências