Trump suspende tarifas da nova lei contra a Rússia, incluindo a de 100% sobre quem compra petróleo russo
Decreto publicado pela Casa Branca na sexta (16) usa uma brecha da própria lei; a sobretaxa aos maiores importadores valeria para compras a partir deste domingo (18).

Foto: DJTechYT / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Fachada norte da Casa Branca, em junho de 2024
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu na sexta-feira (16) as tarifas e a maior parte das sanções previstas na Lei Graham, aprovada pelo Congresso para apertar o cerco econômico à Rússia. O decreto, publicado no site da Casa Branca, usa um artigo da própria lei que permite ao presidente dispensar as punições se certificar ao Congresso que isso atende ao “interesse nacional” dos EUA. Trump diz no texto que já enviou essa certificação.
O que a lei previa
- Tarifa de importação 500% maior sobre produtos vindos da Rússia.
- Tarifa 100% maior sobre produtos dos cinco maiores importadores de petróleo e gás natural russos, se esses países fizessem novas compras a partir de 18 de outubro de 2026.
- Tarifa 100% maior sobre produtos dos cinco países que mais ajudam a Rússia a driblar as sanções ao seu petróleo.
- Sanções e restrições financeiras e comerciais contra pessoas e empresas ligadas ao governo russo.
O decreto confirma essas regras no papel e, na mesma hora, dispensa todas as tarifas e quase todas as sanções. As dispensas valem até que o presidente ou o secretário de Estado decidam que é preciso agir de novo. O texto não diz quais seriam os cinco maiores compradores, e o escritório comercial do governo (USTR) continua encarregado de acompanhar quem compra petróleo e gás russos e de recomendar novas medidas.
O que continua valendo
As sanções que os EUA já tinham contra a Rússia antes da lei, criadas por decretos presidenciais, não mudam. A lei Graham foi assinada por Trump em 18 de setembro de 2026.
Por que isso importa para o seu bolso
A sobretaxa a quem compra petróleo e gás russos era a parte com mais potencial de mexer no comércio mundial: os maiores compradores teriam suas exportações para os EUA encarecidas de uma hora para outra, num momento de energia cara. Segundo o Expansión, com informações da agência EFE, o governo americano também autorizou até 7 de abril de 2027 o comércio de diesel de origem russa, inclusive a importação pelos EUA, depois de Trump anunciar, em 9 de outubro, um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para o fornecimento do combustível. O argumento oficial é conter o preço da energia; parlamentares dos dois partidos criticaram o acordo, dizendo que a venda de combustível pode ajudar a financiar a guerra na Ucrânia.


