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Quatro agentes de IA zeram Minecraft sozinhos: 27 horas, 2.783 programas e 605 mortes até derrotar o Ender Dragon

Num artigo publicado no arXiv, pesquisadores contam como quatro instâncias do Gemini 4 Argon, do Google, saíram do zero e venceram o chefe final escrevendo código, sem papéis definidos por humanos.

Por Redação MATHEUZERAPublicado em 3 min de leitura

Gráfico do artigo com os quatro jogadores controlados por IA e a linha do tempo da partida, das ferramentas de pedra ao Ender Dragon em 27 horas e 14 minutos, com 605 mortes marcadas

Imagem: Faldor, Singh e Raileanu / arXiv (CC BY 4.0); ícones do pacote Pixel Perfection, de XSSheep e Nova_Wostra (CC BY-SA 4.0)

Quatro agentes de inteligência artificial terminaram Minecraft sem ajuda humana. Partindo de um mundo gerado ao acaso e de mãos vazias, eles derrotaram o Ender Dragon, o chefe final do jogo, depois de 27 horas e 14 minutos. O feito está descrito num artigo publicado em 15 de outubro no arXiv, repositório de estudos científicos, por Maxence Faldor, Satinder Singh e Roberta Raileanu, e ganhou repercussão nesta semana em sites como o Gizmodo. Os agentes rodavam o Gemini 4 Argon, modelo do Google.

Os agentes não enxergavam a tela nem apertavam botões. Cada um controlava um personagem pelo Mineflayer, uma biblioteca de código aberto para criar robôs de Minecraft: para agir, escrevia um pequeno programa em JavaScript (“ande até estas coordenadas e minere todo o ferro num raio de 16 blocos”) e lia o texto que voltava. Até a vitória, foram 2.783 programas, 229 mensagens trocadas no chat do jogo e 605 mortes, a maioria para monstros.

Como a equipe se organizou

Ninguém distribuiu funções. Segundo o artigo, os agentes acabaram se especializando sozinhos: um cuidou de comida e suprimentos, outro fez ferramentas e achou a fortaleza, outro abriu o portal para o Nether, e o quarto deu o golpe final. Eles anotavam coordenadas e truques numa memória compartilhada e recuperavam os itens de quem morria. A luta contra o dragão levou quase 14 horas e só destravou quando um deles percebeu que os cristais no alto das torres curavam o chefe: a equipe empilhou terra para alcançá-los e destruiu os dez.

O que o resultado significa, e o que não significa

Os próprios autores listam os limites. A partida foi no modo Fácil. O Mineflayer entrega aos agentes informações que um jogador humano não tem, como blocos atrás da rocha e o estado interno do dragão, além de planejar rotas sozinho. O modelo já conhecia Minecraft dos dados de treino, 22% dos programas terminaram em erro e foi uma única tentativa. O artigo também cita dois projetos da comunidade que já tinham derrotado o dragão em 2026, mas com ferramentas prontas feitas por humanos ou numa semente e dificuldade facilitadas.

Por que isso interessa fora do jogo? Os autores dizem que vencer exigiu manter um plano coerente por milhares de passos ao longo de mais de um dia, a mesma habilidade de que agentes precisam em tarefas longas de programação e de empresas. O custo, estimado pela tabela de preços introdutória do modelo, foi de cerca de US$ 520 (o dobro no preço padrão) até a vitória. É um estudo ainda sem revisão por pares, e vale lê-lo como uma demonstração, não como prova de que a IA “aprendeu a jogar” como uma pessoa.

Fontes e referências